Duas vezes para a esquerda
Vou tentar esquecer do momento em que meus pensamentos ficaram distantes, no meio tempo entre o estalar da chave na porta, rodando duas vezes para a esquerda e me deixando de frente com toda aquela imensidão sólida, tão branca.
Vou tentar entender o motivo daquela confusão toda no apartamento, as gavetas reviradas, malas prontas. O pé a bater descompassadamente no chão. Você a baforar tanta fumaça do seu cigarro. Como se o mundo aqui dentro já não fosse o bastante para seus olhos dilatados de tanto rancor.
Vou tentar esquecer que tenho que acordar cedo amanhã, porque o barulho da porta – a chave girando violentamente duas vezes para a esquerda – não me deixa pregar os olhos, e eu fico aqui nessa cama te cheirando, sentindo seus dedos entrando em mim devagar para depois algumas palavras no pé do ouvido. E todas aquelas horas te sentindo dentro de mim. Meu homem. Sua mulher.
Vou tentar esquecer os benefícios do meu sexo, e me entregar como uma fêmea fraca, sem abrigo ou qualquer vontade de viver. Vou esquecer intencionalmente que eu tenho de acordar cedo e não mais fazer o seu café preto, bem forte e sem açúcar. Do jeito que você me ensinou.
Vou esquecer a falta repentina de luz ou de água, porque a mesinha da sala está tão cheia de papeis, mas eu não faço ideia de qual é a conta que eu tenho de pagar. Aliás, eu sei, mas se começar a lembrar eu vou pensar em você me acariciando forte no corredor da casa, apertando-me em teu corpo e me fazendo estremecer. Meu homem. Sua mulher.
Meu homem e não mais meu, se entregando a essas mulheres fáceis – dez reais num boquete mal feito – duas doses de whisky nacional. Vou tentar esquecer desse maldito barulho, porque toda vez que eu choro a minha pele arde e me perco em um turbilhão de emoções, vocêeu/noquarto/nacama/nocorredor/nobanho.
É bem difícil esquecer.
Vou tentar entender o motivo daquela confusão toda no apartamento, as gavetas reviradas, malas prontas. O pé a bater descompassadamente no chão. Você a baforar tanta fumaça do seu cigarro. Como se o mundo aqui dentro já não fosse o bastante para seus olhos dilatados de tanto rancor.
Vou tentar esquecer que tenho que acordar cedo amanhã, porque o barulho da porta – a chave girando violentamente duas vezes para a esquerda – não me deixa pregar os olhos, e eu fico aqui nessa cama te cheirando, sentindo seus dedos entrando em mim devagar para depois algumas palavras no pé do ouvido. E todas aquelas horas te sentindo dentro de mim. Meu homem. Sua mulher.
Vou tentar esquecer os benefícios do meu sexo, e me entregar como uma fêmea fraca, sem abrigo ou qualquer vontade de viver. Vou esquecer intencionalmente que eu tenho de acordar cedo e não mais fazer o seu café preto, bem forte e sem açúcar. Do jeito que você me ensinou.
Vou esquecer a falta repentina de luz ou de água, porque a mesinha da sala está tão cheia de papeis, mas eu não faço ideia de qual é a conta que eu tenho de pagar. Aliás, eu sei, mas se começar a lembrar eu vou pensar em você me acariciando forte no corredor da casa, apertando-me em teu corpo e me fazendo estremecer. Meu homem. Sua mulher.
Meu homem e não mais meu, se entregando a essas mulheres fáceis – dez reais num boquete mal feito – duas doses de whisky nacional. Vou tentar esquecer desse maldito barulho, porque toda vez que eu choro a minha pele arde e me perco em um turbilhão de emoções, vocêeu/noquarto/nacama/nocorredor/nobanho.
É bem difícil esquecer.
